MENU

quarta-feira, 11 de abril de 2012

CRIAR, NÃO DESTRUIR - de D. Helder Câmara

with 0 comentários
CRIAR, NÃO DESTRUIR

Em nossos tempos de tanta poluição e em que a Natureza é tão pisada,
tão aviltada, tão roubada, cabe, de cheio, esta pequena meditação:

     Homem, meu irmão!

     O Senhor Deus

     nos fez participar

     de sua inteligência divina

     e de seu poder criador...

     Ele teve a humildade e a audácia

     de encarregar-nos

     de dominar a Natureza

     e completar a Criação.

     Será, então,

     que temos o direito

     de poluir a Natureza

     e de destruí-la

     desperdiçando matérias-primas

     não raro

     não renováveis?

     Homem, meu irmão,

     é urgente

     aprendermos com o Senhor Deus

     a criar, e não a destruir...

     A destruição

     não é digna do Criador

     e é absurda

     no co-criador!

Quem já viu caldas venenosas jogadas no rio, a ponto de as águas se
tornarem envenenadas e saírem matando peixes grandes e pequenos e tudo
o que é vida que se move na correnteza? Os pescadores se enchem de
tristeza e de revolta.

O pescador acha que pescar o peixe e transformá-lo em alimento está na
linha do que Deus previu para o peixe... O peixe aceita e até se
alegra de gastar sua vida sendo útil.

Peixe morto envenenado, boiando sem poder servir de alimento, corta o
coração do pescador...

E assim como há poluição das águas matando peixes, há poluição ou ar
matando pássaros e há o desflorestamento, e a destruição da camada de
terra que responde pela fecundidade do solo.

Tudo o que fere a natureza e a envenena, e a esteriliza, é insulto ao Criador

e desonra o co criador.

Mas é também ferir a Natureza despojá-la abusivamente de suas matérias-primas,

sobretudo quando não são renováveis.

Para quem tem olhos de ver, matérias-primas nossas - como o minério de ferro,

 o ouro, o urânio - dão a impressão de sangria."

D. Helder Câmara

Do livro UM OLHAR SOBRE A CIDADE, 3ª edição/2009-PAULUS

0 comentários:

Postar um comentário

Obrigado pelo comentário. Volte sempre!