o amanhã

O AMANHÃ


Depois de refletir longa e profundamente, cheguei a uma conclusão interessante. Ainda que a população mundial esteja explodindo, refletida em milhares de religiões, línguas, filosofias e culturas, só existem, no fundo, dois tipos de pessoas. Há aquelas que acham que estamos indo para o brejo e as que acreditam que o melhor está por vir.
Ninguém precisa ser um gênio para perceber que vivemos em tempos incertos e perigosos. Basta ligar a TV, pegar o jornal ou olhar pela janela. Não é uma visão agradável.

Felizmente, graças à tecnologia moderna, nunca foi tão fácil deixar este vale de lágrimas. Ainda assim, se a vida nos parece tão desprovida de encantos, talvez seja melhor procurar primeiro um oftalmologista, para poder ver as coisas direito. Vamos descobrir que há beleza e esperança mesmo nas piores circunstâncias. Há sempre alguém disposto a dar uma mãozinha a quem pede. Há sempre alguém com quem se pode contar e milhares de momentos especiais que podem dissipar as sombras e que não custam nada, a não ser alguns minutos de atenção. Além do mais, a vida continua muito romântica. Na verdade, há mais professores de tango em ação hoje do que em qualquer outra época da História. As possibilidades de encontros inesperados na hidroginástica nunca foram tão boas. E, embora você talvez nem se dê conta disso, o que aprendeu com suas alegrias e dissabores poderá, um dia, ser compartilhado com outra pessoa. Ao fazer isso, você estará contribuindo para deixar o mundo um pouquinho melhor.
Ainda que eu ache a vida mil vezes preferível à alternativa, sei que ela nem sempre é simples ou agradável. Na verdade, às vezes é tão dura que ficamos com câimbras no cérebro só de pensar em ter de viver as próximas 24 horas. Assim, não chega a ser surpreendente que, ao pensar no futuro, tanta gente se sinta ansiosa, deprimida, assustada e confusa de modo geral. Se mesmo em tempos de vacas gordas não falta quem se queixe da vida, em tempos de incerteza chega a ser fascinante a variedade de reações ao nosso redor. Não adianta argumentar com esta turma que vive de prontidão para se defender de mil e um perigos diários até ficarem tão duras, feias e cruéis quanto o mundo que imaginaram. Finalmente, há aquelas pessoas que acham que a única saída é cavar um buraco e mergulhar lá dentro. Elas pensam que, se erguerem suficientes defesas emocionais, ficarão seguras. A ironia é que, ao invés de trancar os outros do lado de fora, trancam-se a si mesmas do lado de dentro. Com isto talvez consigam evitar alguns dissabores que tornam a vida difícil, mas, no fim, também acabam evitando as delícias que a tornam digna de ser vivida. Isto é tão inútil quanto ficar dando tchauzinho para você mesmo.
Uma solução bem mais simples é abrir um lindo sorriso e reconhecer que não somos o centro do universo. Isso significa que sempre haverá coisas que não sabemos e sob as quais não temos nenhum controle. Assim, quando eventualmente tropeçarmos num dia ruim e estivermos metendo os pés pelas mãos, o melhor a fazer é relaxar e gozar o absurdo da situação. Isto não é física quântica. É apenas bom senso, e ele manda que a gente aproveite o fato ligeiramente bizarro de viver num planeta com mais de 600 sabores de sorvete, em vez de se aborrecer com o gosto pavoroso do picolé de mangaba verde com caldo de jabuticaba.

Da mesma forma, não vale a pena ficarmos obcecados com as intenções de todas as criaturas sinistras que andam por aí. Em suma, ter uma boa rede de apoio é muito importante, melhor do que contratar seguranças para protegê-lo. Outra razão para não se temer o amanhã é que, embora não sejamos o que comemos, somos, certamente, aquilo que amamos. Isso significa que o que realmente somos está refletido naquilo que nos cerca e que nos é caro – a começar pelos nossos amigos. Não há exagero em se dizer que, sob este aspecto, o mundo à nossa volta é um espelho. Portanto, você tem um controle muito maior do futuro do que imagina, pois pode modificar o seu mundo sendo verdadeiro consigo mesmo.
Talvez isto faça sentido para você, talvez não. “Como é que se explicam, então, as coisas pavorosas que eu enfrento no meu mundo, sem querer?” É uma questão pertinente, sem dúvida, e a minha resposta, só para irritar, é uma outra pergunta: “O que é que você realmente quer?” Afinal, o que influencia o mundo à nossa volta é aquilo que de fato queremos e amamos, ainda que a gente não o admita. Por exemplo, muitas vezes dizemos que só queremos ser felizes, quando na verdade o que queremos é ser ricos! Muito ricos! Dizemos que queremos paz espiritual e um sentido amplo de compreensão do universo, quando no fundo o que queremos são respostas fáceis. Dizemos que queremos amor, carinho e companhia, mas o que temos em mente é sexo. Dizemos que queremos ser aceitos pelo que somos, quando o que realmente desejamos é ter mais charme e menos peso.

Devemos ser muito cautelosos com o que desejamos, pois não devemos mentir em vão para nós mesmos. Quando não somos honestos a respeito do que queremos na vida, machucamos aos outros e, sobretudo, a nós mesmos. Pense claramente no que mais deseja. Para você, o que é que realmente faz a vida valer a pena? O que é que você de fato quer fazer com o tempo limitado de que dispõe? Qual é a marca que pretende deixar no mundo? Mas não gaste a vida inteira pensando no futuro, porque a chave do amanhã é hoje. As brilhantes respostas que podemos eventualmente ter para as grandes questões da vida não adiantam nada quando não conseguimos vencer as dúvidas e medos que nos impedem de agir. Seja a sua própria torcida! Faça algo que você jamais imaginou que seria capaz de fazer – viver no presente! Lembre-se sempre que a maior aventura de uma outra pessoa pode vir a ser o seu maior pesadelo. Siga, portanto, o seu próprio caminho, aonde quer que ele o leve, dando um passo de cada vez. A estrada da vida não é uma competição ou uma via expressa sem graça e sem saídas a ser seguida pela eternidade. Curta o imprevisível e procure sempre novidades interessantes. Tire um tempo para apreciar a paisagem.

O fato é que, um dia, em vez de acordar para tomar café, vamos mergulhar num túnel longo e escuro, em direção a um universo de luz. Nossa jornada terá chegado ao fim. Nesse momento, quando a sua vida inteira passar diante de seus olhos, duvido que você se preocupe muito com o dinheiro que ganhou, as milhas que acumulou, os prêmios que conquistou, os carros que teve, o valor de sua carteira de ações ou quantas vezes seu retrato saiu no jornal. Ao contrário, acredito que as coisas mais importantes da sua vida terão sido os amassos gostosos, as noites que passou olhando para as estrelas, os momentos engraçados de total descontração, as primeiras gotas de chuva que sentiu na língua e o instante em que alguém especial murmurou: “Eu te amo.”
Não perca tempo se preocupando com o futuro. Ele virá, e muito rápido – eu garanto. Enquanto isso, sugiro que você erga a cabeça, calce sapatos confortáveis e siga seu coração até os confins da Terra. Ao longo da jornada, lembre-se sempre de que cada dia é uma dádiva preciosa. Se você souber aproveitá-la e dela tirar o que há de melhor, então, acredite, haverá outro presente extraordinário esperando por você. O AMANHÃ.

Bradley Trevor Greive

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