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terça-feira, 26 de outubro de 2010

Perdoar é algo que requer esforço, mas vale a pena! Traz uma grande calma, uma sensação de alívio e desafogo para o coração inquieto e oprimido.
É um processo pelo qual o novo se faz possível na nossa vida e na vida dos outros. É um ato maravilhoso que nos torna pessoas melhores, maduras na fé. É amar apesar de tudo; é a vitória do amor sobre o ódio!
Na verdade, o perdão vem de Deus e é a sua manifestação em nossa vida. Através dele, Deus nos liberta e cura as feridas do nosso coração. Por isso, abra-se à ação do Espírito Santo e acolha com disponibilidade todos os dons, graças e bênçãos que Deus derrama em sua vida.
Perdoe a Deus, a si mesmo e aos outros. Conceda-se a graça de viver em abundância e plenitude!
Lembre-se de que "perdoar é o modo mais sublime de crescer; e pedir perdão é o modo mais sublime de se levantar".
Aprenda a perdoar e a pedir perdão sempre e será feliz!


Oração

Pai, sei que tudo pode ser transformado pelo poder da oração. Elevo a ti minha prece e, assim como o salmista, peço-te: "Cria em mim, ó Deus, um coração puro, renova em mim um espírito resoluto"
(SI 51[5O],12).
Senhor, tu sabes da minha grande dificuldade em perdoar.
Preciso do teu amor e da tua misericórdia.
Rogo-te a graça de perdoar a quem me ofendeu, prejudicou e causou uma profunda mágoa
(dizer o nome da pessoa).
Não quero mais ter ressentimentos e inquietude em meu coração pela falta de perdão.
Também te peço a graça de perdoar a mim mesmo, as minhas faltas, os meus pecados.
Que eu possa sentir tua ternura e teu carinho para comigo. Orienta minha vida para o teu amor.
E para finalizar, peço que me conceda a graça de te perdoar.
Sei, Pai, que jamais me magoaste, mas, por minha fraqueza e limitação, eu te julguei, achei que tivesses me abandonado, sendo o responsável pelas dificuldades que tenho enfrentado.
Transforma-me, Senhor. Cura-me, Senhor. Restaura-me, Senhor.
Ajuda-me a compreender o teu plano e a tua vontade para minha vida.
Abro-me para acolher toda a graça e toda a bênção que vêm de ti.
Assim seja!


"O Deus, tem piedade de mim,
conforme a tua misericórdia"

(Sl 51[50],3).



Texto do livro: "Mensagens e orações para diversas situações do dia a dia". Paulinas Editora.
Rosemary de Ross

Perdoe e seja feliz!

Inveja. você sabe que sentimento é esse?

No Dicionário Aurélio inveja é: Desgosto ou pesar pelo bem ou felicidade de outrem - Desejo violento de possuir o bem alheio - Objeto de inveja.

Vejamos se o Aurélio está certo...

Inveja é um dos sentimentos que pode causar as maiores dores no ser humano. Geralmente, quando existe uma estima de algum objeto de desejo, e ainda se este der status, a inveja se instala. (Diz-se objeto de desejo para coisas não palpáveis também). É fruto também da comparação com as outras pessoas. Ela não existe sem que antes o indivíduo não tenha feito comparações. É a auto-aversão por não ser como os outros são.

É preciso contudo, diferenciar a inveja, da busca do bem-estar. Pode se dizer que é errado trabalhar, lutar para se conquistar o objeto de desejo? O desejo pela conquista do objeto que nos falta, quando feito com humildade e honestidade, não é inveja.

Se uma pessoa destaca-se em alguma atividade, por mais tola que possa parecer, o invejoso está pronto para aparecer e apontar o dedo e tentar minimizar o feito de seu próximo. Um eletrodoméstico novo, um tênis da moda, ou mesmo um brinco bem colocado em combinação com uma roupa extremamente comum, já se torna motivo para elogios, nem sempre sinceros. Surge um sentimento de raiva, de ira, porque geralmente o invejoso sente-se muito mais merecedor da conquista do que o outro. O invejoso não agüenta ter uma outra pessoa invadindo seu território, que em sua lassidão, deixou de ocupar, por pura incapacidade e ou inércia. O invejoso é capaz de boicotar, de fofocar de fazer armadilhas, a fim de destruir o outro. Quer provar, ao menos para si mesmo, que ele é melhor. Mas no seu íntimo, sente-se menor do que os outros, aumenta, se vangloria, enaltece a si mesmo, pois dessa forma abranda o mal-estar do desequilíbrio. Fala excessivamente bem das próprias coisas, procurando diminuir o outro através de crítica. Não percebe muitas vezes suas frustrações, é como se nem existissem, porque logo está de prontidão, pronto para realizar mais um feito de diminuição, descaracterização, burlando suas próprias angústias.

Geralmente, as mulheres exteriorizam mais esse sentimento do que os homens. Estes, procuram outras saídas na exteriorização desse sentimento.

Você com certeza já ouviu frases (ou pensamentos) assim vindas do homem (o que não significa que não venham de uma mulher também):

"Nossa, que bonito carro, gostaria de ter um assim!"

"Que trabalho interessante, queria tê-lo feito!"

"Olha só, que namorado(a) lindo(a), podia ter a mesma sorte!"

Se a surpresa diante de algo, for digna e generosa, não há inveja destrutiva. Trata-se apenas de um incentivo, um grande estímulo para que nos empenhemos em adquirir novas virtudes, produzir melhores trabalhos, realizar melhores conquistas amorosas.

Talvez esse processo todo venha da convivência no ambiente familiar, onde comparações são freqüentes, sem contar com a sociedade, que propaga na mídia processos comparativos, entre as várias marcas apresentadas.

A melhor solução pode estar na forma de utilizar e de encarar a inveja, que, visualizada em termos comparativos pessoais de evolução, do antes e depois, do ontem e do hoje, deixa de ser inveja destrutiva para ser uma inveja de auto-estímulo. Ou seja, o padrão de comparação deixa de ser externo e passa a ser interno.

Aqueles que sabem fazer o bom uso da inveja, utilizam frases assim:

"Nossa, que bonito carro. O meu também me conduz, antes andava a pé!"

"Que trabalho interessante. Eu posso aprender com ele, antes nem sabia como fazer!"

"Que namorado(a) lindo(a). A minha é tão companheira, antes me sentia só!"

O objeto de desejo, só nos dá satisfação, quando a conquista é nossa, e não quando é feita em cima da conquista do outro. Destruir o outro, não fará você chegar aonde o outro chegou. Sua personalidade, desejos, características não são iguais as das outras pessoas, então não adianta usar as demais pessoas como medidas para a vida que é SUA.

Por: Márcia Homem de Mello© - Publicação ABRAPSMOL

inveja

A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.
 Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.

Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.

Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.

Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.

Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.
 Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.

Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.

Texto extraído do livro "Cecília Meireles - Obra em Prosa - Volume 1", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1998, pág. 366.

Primavera