Há quem passe pela vida

HÁ QUEM PASSE PELA VIDA...
 
 
Há quem passe e deixe só cicatrizes,
Há quem passe semeando flores.
Há quem passe banhando-nos em lágrimas,
Há quem passe disposto a secá-las.
Há quem passe torcendo por nossa vitória,
Há quem passe aplaudindo nossos fracassos.
Há quem passe ajudando-nos a levantar,
Há quem passe fazendo-nos cair.
Há quem passe como sombra,
Há quem passe como luz.
Há quem passe como pedra no caminho,
Há quem passe como pedra de construção.
Há quem para todo todo deslize veja uma falha
irreparável,
Há quem nos ofereça o perdão.
Há quem ignore nossos erros,
Há quem nos ajude a corrigir.
Há quem passe rápido, veloz, despercebido,
Há quem deixe marcas profundas.
Há quem simplesmente passe,
Há quem fique para sempre no coração.
Há quem passe pela vida,
Mas, há quem não deixe a vida passar
Sem um gesto de carinho,
Sem o amor ofertar!
 
Regina Célia Suppi
 

 



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Postado por aponarte no Para pensar e sentir em 7/15/2008 02:28:00 PM
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Os outros

Os  Outros
 
Graça Craidy
 
Não canso de me surpreender, toda vez que me dou conta do quanto as 
pessoas pensam diferente umas das outras. Do quanto cada olho é único, 
primitivo e original, na labuta de traduzir a própria percepção. Lembro 
da velha fábula dos cegos passando a mão num elefante, cada um 
interpretando o bicho à sua maneira." É fininho e curto", diz o que 
apalpou o rabo. "É redondo e grosso", garante o que tocou a tromba. 
Todos eles certos, do seu ponto de vista, todos parciais, do ponto de 
vista do elefante. Uma questão de onde você coloca a câmera e com que 
repertório avalia o que vê. Se o seu repertório é amplo, cheio de 
olhares guardados, certamente você vai ver muitas coisas, como o Pequeno 
Príncipe do Saint-Exupery enxergava lindos significados num borrão 
mal-desenhado. Se o seu repertório é limitado, você quase sempre vê as 
mesmas coisas. Tudo lhe ronca igual.
Um dia um colega partilhou comigo a sua genial descoberta, que mais 
tarde descobri ser também a opinião do psicanalista Lacan: "As pessoas 
não ouvem, Graça, as pessoas in-ter-pre-tam." Ri muito, na época, e, 
hoje, cada vez que topo com mal-entendidos, me vem à mente a frase dele. 
Mal-entendido, não: interpretação!
 
Por sinal, uma das coisas boas de a gente ficar mais velha é entender 
que boa parte do tempo as pessoas não agem contra seus interlocutores, 
mas simplesmente porque são o que são. Isto é, nada pessoal. O sujeito 
que esbraveja por qualquer dá-cá-aquela-palha, a criatura que não 
devolve sorrisos, o indivíduo que enrijece o corpo na hora do abraço, a 
fulana incapaz de usar aquelas quatro expressõezinhas básicas por favor 
- com licença - desculpe - muito obrigada, me responda sinceramente: o 
problema é deles ou é seu? Claro que é deles! Como diria o Simpson do 
desenho animado: "Não fui eu. Já estava assim quando eu cheguei!"
 
Bem a propósito, o filósofo francês Jean-Paul Sartre alertava: "O 
inferno são os outros". Ora, se todos nós, em algum momento, somos o 
inferno do outro, melhor aprender de uma vez por todas a tourear os 
demônios que nos habitam. E a primeira coisa que a gente devia se propor 
é não ficar ofendido porque o outro pensa diferente. Afinal se cada um 
tem a sua cabeça, única, pessoal e intransferível, deveria inclusive ser 
natural emitir a própria opinião. Não a do outro. E desse respeito mútuo 
e desofendido, quem sabe quantas novas trocas?
 
A verdade, enfim, é uma só: pensar diferente não é ofensa nem desamor. 
Mas, apenas isto: pensar diferente. Entendeu, querido leitor? Ou 
interpretou?

 



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Postado por aponarte no Para pensar e sentir em 7/15/2008 02:20:00 PM
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O rio

O Rio
 
 
Livro: *Rosângela*
Rosângela & J. Raul Teixeira
 
    Excelentes ensinamentos nos oferece o trabalho da corrente fluvial que
   avança vencendo distâncias e empeços variados.
 
   A partir das suas nascentes, o rio tudo supera, tudo vence, sem deter-se,
   em face do objetivo a atingir, que é alcançar o oceano, integrando-se no
   grande mar.
 
   Seja o seu leito rochoso, barrento ou arenoso, esteja margeado por
   fertilidade abundante com erva luxuriante ou por pétreas muralhas, segue
   para o seu desiderato : O mar . . .
 
   Não há detritos que resistam a sua força. Nenhuma sujidade é respeitada
   por sua caudal.
 
   Atendendo aos que dele dependem, os humanos, os animais e as plantas,
   abençoa as paragens onde transita, reverdecendo tudo.
 
   * * *
 
   Sentindo a formidável lição do rio caudaloso, encontramos o incentivo
   para que, igualmente, a pessoa não se detenha diante dos desafios e óbices
   que se anteponham à sua marcha.
 
   Busque compenetrar-se, amigo, da corajosa atuação do rio, e viva assim,
   arrostando suas dificuldades, sem abatimento, sem esmorecimento, lutando por
   ultrapassar a si mesmo a cada dia, onde quer que esteja, pois, além de tudo
   isso, quando um ingente esforço do exterior consegue cercear as águas
   fluviais, represá-las, desrespeitando-lhes o fluxo livre, nem aí o rio se
   detém. Converte a sua prisão em força hidráulica e, desafiadoramente, porque
   tem que atingir o seu destino, transformando-se em luz, retirando da sombra
   cidades inteiras, iluminando a vida dos povos.
 
   Ao meditar sobre isso, refletindo o Criador na própria alma, faça o
   mesmo, porque você também tem o destino dos rios : alcançar o imenso oceano
   da evolução, no seio do Universo, superando os limites que o cercam, com
   disposição, empenho e ousadia.
 
 
 

 

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